quarta-feira, 28 de setembro de 2016

- A ORIGEM DA GUERRA NA SÍRIA, E O QUE ESTÁ ACONTECENDO NO PAÍS -

A guerra da Síria, que começou como um levante pacífico contra o presidente Bashar al-Assad, se converteu em um conflito brutal e sangrento que não apenas afeta a população local, mas arrasta potências regionais e internacionais. 
A ONU estima que a guerra tenha deixado cerca de 400 mil mortos e provocado um êxodo de mais de 4,5 milhões de pessoas do país.





- VEJAMOS ALGUNS PONTOS QUE ESCLARECEM MELHOR ESTES FATOS:



> Qual era a situação na Síria antes da guerra?



Antes do início do conflito, muitos sírios se queixavam de um alto nível de desemprego, corrupção em larga escala, falta de liberdade política e repressão pelo governo Bashar al-Assad - que havia sucedido seu pai, Hafez, em 2000.





Em março de 2011, adolescentes que haviam pintado mensagens revolucionárias no muro de uma escola na cidade de Deraa, no sul do país, foram presos e torturados pelas forças de segurança.
O fato provocou protestos por mais liberdades no país, inspirados na Primavera Árabe - manifestações populares que naquele momento se estendiam pelos países árabes.

Quando as forças de segurança sírias abriram fogo contra os ativistas - matando vários deles -, as tensões se elevaram e mais gente saiu às ruas. Os manifestantes pediam a saída de Assad.
A resposta do governo foi sufocar as divergências, o que reforçou a determinação dos manifestantes. No fim de julho de 2011, centenas de milhares saíram às ruas em todo o país exigindo a saída de Assad.

> Como começou a guerra civil?

À medida que os levantes da oposição aumentavam, a resposta violenta do governo se intensificava.
Simpatizantes do grupo antigoverno começaram a pegar em armas - primeiro para se defender e depois para expulsar as forças de segurança de suas regiões.
Assad prometeu "esmagar" o que chamou de "terrorismo apoiado por estrangeiros" e restaurar o controle do Estado.

A violência rapidamente aumentou no país: grupos rebeldes se reuniram em centenas de brigadas para combater as forças oficiais e retomar o controle das cidades e vilarejos.

Em 2012, os enfrentamentos chegaram à capital, Damasco, e à segunda cidade do país, Aleppo.
O conflito já havia, então, se transformado em mais que uma batalha entre aqueles que apoiavam Assad e os que se opunham a ele - adquiriu contornos de guerra sectária entre a maioria sunita do país e xiitas alauítas, o braço do Islamismo a que pertence o presidente.



Isto arrastou as potências regionais e internacionais para o conflito, conferindo-lhe outra dimensão.
Em junho de 2013, as Nações Unidas informaram que o saldo de mortos já chegava a 90 mil pessoas.

> Quem está lutando contra quem?

A rebelião armada da oposição evoluiu significativamente desde suas origens.
O número de membros da oposição moderada secular foi superado pelo de radicais e jihadistas - partidários da "guerra santa" islâmica. Entre eles estão o autointitulado Estado Islâmico e a Frente Nusra, afiliada à Al-Qaeda.


Os combatentes do EI - cujas táticas brutais chocaram o mundo - criaram uma "guerra dentro da guerra", enfrentando tanto os rebeldes da oposição moderada síria quanto os jihadistas da Frente Nusra. Também combatem o Exército curdo, um dos grupos que os Estados Unidos estão apoiando no norte da Síria.

Desde 2014, os EUA, junto com o Reino Unido e a França, realizam bombardeios aéreos no país, mas procuram evitar atacar as forças do governo sírio.
Já a Rússia lançou em 2015 uma campanha aérea com o fim de "estabilizar" o governo após uma série de derrotas para a oposição. A intervenção russa possibilitou vitórias significativas das forças aéreas sírias.


Os rebeldes moderados têm requisitado armas antiaéreas ao Ocidente para responder ao poderio do governo sírio. Mas Washington e seus aliados têm procurado controlar o fluxo de armas por medo de que acabem indo parar nas mãos de grupos jihadistas.


> Qual é o envolvimento das potências internacionais?

Os Estados Unidos culpam Assad pela maior parte das atrocidades cometidas no conflito e exigem que ele deixe o poder como pré-condição para a paz.
Já a Rússia apoia a permanência de Assad no poder, o que é crucial para defender os interesses de Moscou no país.
O Irã, de maioria xiita, é o aliado mais próximo de Bashar al-Assad. A Síria é o principal ponto de trânsito de armamentos que Teerã envia para o movimento Hezbollah no Líbano - a milícia também enviou milhares de combatentes para apoiar as forças sírias.
Estima-se que os iranianos já tenham desembolsado bilhões de dólares para fortalecer as forças sírias, provendo assessores militares, armas, crédito e petróleo.


Contrapondo-se à influência do Irã, a Arábia Saudita, principal rival de Teerã na região, tem enviado importante ajuda militar para os rebeldes, inclusive para grupos radicais.
Outro aliado importante dos rebeldes sírios, a Turquia tem buscado limitar o apoio dos EUA às forças curdas, que acusam de apoiar rebeldes do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão).
Os rebeldes da oposição síria têm ainda atraído apoio em várias medidas de outras potências regionais, como Catar e Jordânia.

> Por que a guerra está durando tanto?

Um fator chave é a intervenção de potências regionais e internacionais.
Seu apoio militar, financeiro e político tanto para o governo quanto para a oposição tem contribuído diretamente para a continuidade e intensificação dos enfrentamentos, e transformado a Síria em campo para uma guerra indireta.
A intervenção externa também é responsabilizada por fomentar o sectarismo no que costumava ser um Estado até então



A escalada de terror causada por grupos jihadistas como o EI - que aproveitou a fragilidade do país para tomar o controle de vastas partes de território no norte e leste - acrescentou outra dimensão ao conflito.

> Qual é o impacto da guerra?

O enviado da ONU para a Síria, Steffan de Mistura, estimou que a guerra já matou 400 mil pessoas.
Para a organização Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediada em Londres, até setembro a cifra de mortos passava de 300 mil.
Já o Centro Sírio para Pesquisa de Políticas, outro grupo de estudos, calcula que o conflito já tenha causado a morte de 470 mil pessoas.


Segundo a ONU, até fevereiro de 2016 mais de 4,8 milhões de pessoas haviam fugido do país - a maioria mulheres e crianças.
O êxodo de refugiados, um dos maiores da história recente, colocou sob pressão os países vizinhos - Líbano, Jordânia e Turquia.
Cerca de 10% deles buscam asilo na Europa, provocando divisões entre os países do bloco europeu sobre como dividir essas responsabilidades.



E as estatísticas terríveis não param por aí.
A ONU disse que são necessários US$ 3,2 bilhões para prover ajuda humanitária a 13,5 milhões de pessoas - incluindo seis milhões de crianças - no país.
Cerca de 500 mil pessoas vivem sob o cerco de forças de segurança ou rebeldes.

Além disso, 70% da população não tem acesso a água potável, uma em cada três pessoas não consegue suprir as necessidades alimentares básicas, mais de 2 milhões de crianças não vão à escola e uma em cada cinco indivíduos vive na pobreza.

> O que a comunidade internacional faz para pôr fim ao conflito?

Como nenhuma das partes é capaz de impor uma derrota decisiva à outra, a comunidade internacional há muito concluiu que a única forma de pôr fim à guerra é por meio de uma solução política.

 Steffan de Mistura

O Conselho de Segurança da ONU pediu a implementação do Comunicado de Genebra, adotado em 2012 na cidade suíça, que contempla um governo de transição com amplos poderes executivos "baseado no consentimento mútuo".
Porém, as negociações de paz de 2014, conhecidas como Genebra 2, foram interrompidas. A ONU responsabilizou o governo sírio por se recusar a discutir as demandas da oposição.
Um ano depois, a ascensão do grupo autodenominado Estado Islâmico deu novo ímpeto à busca por uma solução pacífica.

Em janeiro deste ano, Estados Unidos e Rússia conseguiram convencer as partes em conflito a participar de "conversas de aproximação" em Genebra para implementar o plano da ONU.
Mas as negociações foram suspensas ainda na fase preparatória, depois que as forças de segurança sírias lançaram uma ofensiva contra a cidade de Aleppo, no norte do país.


Este ano, as duas superpotências mundiais conseguiram negociar uma interrupção das hostilidades, com a qual os enfrentamentos foram suspensos.
A última trégua parcial, em meados de setembro, fracassou dias depois de entrar em vigor, após um ataque letal contra um comboio de ajuda humanitária, no qual morreram 20 civis.
Os EUA culparam a Rússia pelo bombardeio - Moscou negou as acusações.


Fonte: BBC

quarta-feira, 6 de abril de 2016

ESCALAS

Todo mapa representa algum elemento ou fenômeno que se localiza no espaço geográfico. Para a construção de um mapa, é necessário o uso de alguns princípios matemáticos que consigam determinar o quanto você deve reduzir as informações que existem na realidade, para poder confeccionar um mapa.

Uma escala (E) de um mapa, quer nos mostrar a relação que existe entre um elemento do espaço geográfico, com o mapeamento deste. Ou seja, representa a relação entre a distância real (D) do elemento com a distância no mesmo representado em um mapa (d).

= distância no mapa
= distância real
E = Escala

Para calcular, usamos a fórmula:


Nas contas de escala, deve-se necessáriamente fazê-las usando as mesmas medidas de comprimento que são: Quilómetro (km), Hectómetro (hm), Decâmetro (dam), Metro (m), Decímetro (dm), Centímetro(cm), Milímetro (mm). Pode-se usar a conversão da seguinte forma:



  • ESCALA NUMÉRICA
Aparece a relação de quantas vezes o mapa foi reduzido. Por exemplo: 1/100.000 ou 1:100.000. Quer diquer que o mapa foi reduzido 100.000 vezes, ou seja, se algo no mapa tem 1cm de distância, no real, representam 100.000cm.


  • ESCALA GRÁFICA
Na escala gráfica, não aparece a relação do real com o mapeado diretamente, mas contêm o "D", que é de 2km; o "d" terá que ser medido. Aproximadamente, tem 1,7 cm. Desta maneira é possível calcular a Escala, usando a fórmula descrita anteriormente.
Escala Gráfica
Fonte: Software ArcGis 9.3
 

Exemplo 01:
Para um rio que no mapa de 1:50.000 tem 50cm, qual será a distância real deste rio?
d = 50cm
D = ?
E = 50.000
jogando na fórmula (d / D = 1 / E)
50cm / D = 1 / 50.000 (fazer regra de três)
50cm x 50.000 = D x 1
2.500.000cm = D
D = 25.000m
D = 25km

Exemplo 02:
Para uma estrada que no mapa mede 80cm e sua distância real é de 80km, qual é a escala do mapa?
d = 80cm
D = 80km
E = ?
jogando na fórmula (d / D = 1 / E)
80cm / 80km = 1 / E (colocar na mesma medida de comprimento)
0,000.8km / 80km = 1 / E (fazer regra de três)
0,000.8km x E = 80km x 1
E = 80km / 0,000.8km
E = 100.000
ou seja
a escala numérica do mapa é de 1:100.000

  • ESCALA NUMÉRICA
Aparece a relação de quantas vezes o mapa foi reduzido. Por exemplo: 1/100.000 ou 1:100.000. Quer diquer que o mapa foi reduzido 100.000 vezes, ou seja, se algo no mapa tem 1cm de distância, no real, representam 100.000cm.


  • ESCALA GRÁFICA
Na escala gráfica, não aparece a relação do real com o mapeado diretamente, mas contêm o "D", que é de 2km; o "d" terá que ser medido. Aproximadamente, tem 1,7 cm. Desta maneira é possível calcular a Escala, usando a fórmula descrita anteriormente.
Escala Gráfica
Fonte: Software ArcGis 9.3
 

Exemplo 01:
Para um rio que no mapa de 1:50.000 tem 50cm, qual será a distância real deste rio?
d = 50cm
D = ?
E = 50.000
jogando na fórmula (d / D = 1 / E)
50cm / D = 1 / 50.000 (fazer regra de três)
50cm x 50.000 = D x 1
2.500.000cm = D
D = 25.000m
D = 25km

Exemplo 02:
Para uma estrada que no mapa mede 80cm e sua distância real é de 80km, qual é a escala do mapa?
d = 80cm
D = 80km
E = ?
jogando na fórmula (d / D = 1 / E)
80cm / 80km = 1 / E (colocar na mesma medida de comprimento)
0,000.8km / 80km = 1 / E (fazer regra de três)
0,000.8km x E = 80km x 1
E = 80km / 0,000.8km
E = 100.000
ou seja
a escala numérica do mapa é de 1:100.000

  •  TAMANHO DA ESCALA
As escalas variam de mapa para mapa. Contudo, o tamanho delas deve ser apropriado com a finalidade que o mapa vai ser feito. Por exemplo, quando dizemos que um mapa tem escala grande é porque a quantidade de detalhes no mapa é grande, e quando a escala é pequena é porque tem menos detalhe, em função da enorme área que este pode abranger.


 
Escalas grandes de detalhe para escalas pequenas, indo da Cidade do Vaticano para Roma, Itália e Europa (nesta última, percebe-se que a área mapeada aumenta, mas perdem-se os detalhes)

segunda-feira, 26 de outubro de 2015



Apartheid

Apartheid (significa "vidas separadas" em africano) era um regime segregacionista que negava aos negros da África do Sul os direitos sociais, econômicos e políticos.

Embora a segregação existisse na África do Sul desde o século 17, quando a região foi colonizada por ingleses e holandeses, o termo passou a ser usado legalmente em 1948.

No regime do apartheid o governo era controlado pelos brancos de origem europeia (holandeses e ingleses), que criavam leis e governavam apenas para os interesses dos brancos. Aos negros eram impostas várias leis, regras e sistemas de controles sociais.

Entre as principais leis do apartheid, podemos citar:

- Proibição de casamentos entre brancos e negros - 1949.

- Obrigação de declaração de registro de cor para todos sul-afriacanos (branco, negro ou mestiço) - 1950.

- Proibição de circulação de negros em determinadas áreas das cidades - 1950

- Determinação e criação dos bantustões (bairros só para negros) - 1951

- Proibição de negros no uso de determinadas instalações públicas (bebedouros, banheiros públicos) - 1953

- Criação de um sistema diferenciado de educação para as crianças dos bantustões - 1953

Fim do Apartheid


Este sistema vigorou até o ano de 1990, quando o presidente sul-africano tomou várias medidas e colocou fim ao apartheid.  Entre estas medidas estava a libertação de Nelson Mandela, preso desde 1964 por lutar com o regime de segregação. Em 1994, Mandela assumiu a presidência da África do Sul, tornando-se o primeiro presidente negro do país.

Apartheid - Exercícios

 1-Justifique a frase: “ África do Sul, um país de negros com segregação racial.”

Apesar da maioria do país ser formado por negros, existiu e existe uma forte separação racial, devido a colonização e a imposição da minoria branca de dominar economicamente, militarmente o país. Sendo assim, os negros de usufruir de seus direitos mesmo após sua independência.
Através desse estudo dá para percebermos como a colonização deixa marcas profundas num povo, colocando-o em uma difícil situação de pobreza e humilhação.

2-O final do Apartheid significa problemas resolvidos? Explique.

Não. Apenas mudaram as leis, a concentração da riqueza continua nas mãos dos brancos e as atitudes ainda continuam as mesmas.

3- Comente sobre o novo racismo que ocorre nos países ricos em relação aos imigrantes.

Enquanto os imigrantes foram úteis, como mão-de-obra barata na época em que faltava mão de obra nos países ricos eles eram bem vindos. Quando começou uma crise de desemprego os imigrantes se tornaram bodes expiatórios, sendo assim “perseguidos” pelos países que abriram os braços a eles.
Vale lembrar que a crise de desemprego se deve principalmente a alta tecnologia ali desenvolvida e não aos imigrantes.

4-Diferencie Apartheid de racismo comum.

O apartheid é um racismo oficializado através de leis, enquanto que o racismo comum não é legal, é praticado ilicitamente.

Fonte: SuaPesquisa

domingo, 19 de julho de 2015

A EXTINÇÃO DOS PROFESSORES

O ano é 2.020 D.C. – ou seja, daqui a cinco anos – e uma conversa entre avô e neto tem início a partir da seguinte interpelação:
– Vovô, por que o mundo está acabando?
A calma da pergunta revela a inocência da alma infante. E no mesmo tom vem a resposta:
– Porque não existem mais PROFESSORES, meu anjo.
– Professores? Mas o que é isso? O que fazia um professor?
O velho responde, então, que professores eram homens e mulheres elegantes e dedicados, que se expressavam sempre de maneira muito culta e que, muitos anos atrás, transmitiam conhecimentos e ensinavam as pessoas a ler, falar, escrever, se comportar, localizar-se no mundo e na história, entre muitas outras coisas. Principalmente, ensinavam as pessoas a pensar.
– Eles ensinavam tudo isso? Mas eles eram sábios?
– Sim, ensinavam, mas não eram todos sábios. Apenas alguns, os grandes professores, que ensinavam outros professores, e eram amados pelos alunos.
– E como foi que eles desapareceram, vovô?
– Ah, foi tudo parte de um plano secreto e genial, que foi executado aos poucos por alguns vilões da sociedade. O vovô não se lembra direito do que veio primeiro, mas sem dúvida, os políticos ajudaram muito. Eles acabaram com todas as formas de avaliação dos alunos, apenas para mostrar estatísticas de aprovação. Assim, sabendo ou não sabendo alguma coisa, os alunos eram aprovados. Isso liquidou o estímulo para o estudo e apenas os alunos mais interessados conseguiam aprender alguma coisa.
Depois, muitas famílias estimularam a falta de respeito pelos professores, que passaram a ser vistos como empregados de seus filhos. Estes foram ensinados a dizer “eu estou pagando e você tem que me ensinar”, ou “para que estudar se meu pai não estudou e ganha muito mais do que você” ou ainda “meu pai me dá mais de mesada do que você ganha”. Isso quando não iam os próprios pais gritar com os professores nas escolas. Para isso muito ajudou a multiplicação de escolas particulares, as quais, mais interessadas nas mensalidades que na qualidade do ensino, quando recebiam reclamações dos pais, pressionavam os professores, dizendo que eles não estavam conseguindo “gerenciar a relação com o aluno”. O professores eram vítimas da violência – física, verbal e moral – que lhes era destinada por pobres e ricos. Viraram saco de pancadas de todo mundo.
Além disso, qualquer proposta de ensino sério e inovador sempre esbarrava na obsessão dos pais com a aprovação do filho no vestibular, para qualquer faculdade que fosse. 
“Ah, eu quero saber se isso que vocês estão ensinando vai fazer meu filho passar no vestibular”, diziam os pais nas reuniões com as escolas. E assim, praticamente todo o ensino foi orientado para os alunos passarem no vestibular. Lá se foi toda a aprendizagem de conceitos, as discussões de idéias, tudo, enfim, virou decoração de fórmulas. Com a Internet, os trabalhos escolares e as fórmulas ficaram acessíveis a todos, e nunca mais ninguém precisou ir à escola para estudar a sério.
Em seguida, os professores foram desmoralizados. Seus salários foram gradativamente sendo esquecidos e ninguém mais queria se dedicar à profissão. Quando alguém criticava a qualidade do ensino, sempre vinha algum tonto dizer que a culpa era do professor. As pessoas também se tornaram descrentes da educação, pois viam que as pessoas “bem sucedidas” eram políticos e empresários que os financiavam, modelos, jogadores de futebol, artistas de novelas da televisão – enfim, pessoas sem nenhuma formação ou contribuição real para a sociedade.

Fonte: http://mariotextos.blogspot.com.br/2012/04/extincao-dos-professores.html

sábado, 18 de julho de 2015

VOCÊ SABE O QUE É SENSAÇÃO TÉRMICA?


Muitas vezes quando informamos a temperatura de um determinado local, muitos se questionam: “será que o valor está correto? Está mais frio do que isso!”. Em muitas ocasiões desconfiamos do valor dos termômetros, pois não conseguimos ligar o número apresentado ao que estamos sentindo. Percebemos as temperaturas e o ambiente de forma única, mas a meteorologia consegue aproximar o valor real do termômetro a algo mais parecido com o que estamos vivenciando: a sensação térmica. Vamos tentar, nesta matéria, esclarecer um pouco mais este assunto.

TEMPERATURA DO AR 
Em primeiro lugar, vamos falar sobre como as temperaturas são registradas. Há uma regulamentação internacional da OMM (Organização Meteorológica Mundial), órgão ligado à Organização das Nações Unidas que nos diz como um termômetro meteorológico deve ser instalado, lido e aferido. Essas normas têm de ser cumpridas no mundo inteiro, de forma que possamos comparar os valores um com o outro.
Há dois tipos de instalação de termômetros: uma convencional, que necessita da leitura de um profissional da área, e um automático. O termômetro de estação convencional é um conjunto de aparelhos bem parecidos com aqueles termômetros caseiros de medir a febre: um tubo de vidro com alguma substância que percorre uma escala, dependendo da temperatura.
Normalmente há um termômetro regulado para a temperatura mínima, que é bem sensível, outro para a temperatura máxima e outros dois destinados a registrar a temperatura do ar seco e do ar úmido. Nesta instalação, há mais regras cumpridas como a altura em relação ao solo, a obrigatoriedade de proteger o conjunto da chuva e do sol direto, mas que libere a passagem do vento. Ainda, um observador meteorológico faz a leitura pessoalmente, em horários determinados e transmite a informação para os órgãos competentes.
A outra instalação, a automática é feita com sensores modernos. Uma única caixa de sensores bem protegidos consegue aferir a variação da temperatura praticamente durante 24 horas por dia e normalmente a distribuição destas informações para os institutos de meteorologia é bastante rápida. 
Com todos estes cuidados, podemos estudar e comparar as temperaturas reais registradas.

SENSAÇÃO TÉRMICA 
A sensação térmica é um cálculo complexo da temperatura mais próxima do que sentimos na pele, baseado no próprio valor da temperatura do ar e também nos valores de umidade relativa e/ou da intensidade do vento. Você pode relembrar o que o meteorologista Celso Oliveira explicou sobre a umidade relativa do ar, clicando aqui.
Na prática, este cálculo nos informa um número de temperatura mais próximo do real. Além disso, existem diversas fórmulas matemáticas, levando em consideração somente o vento, ou somente a umidade, entre outros.
A fórmula mais utilizada é convertida em uma tabela (abaixo), e leva somente em consideração a informação do vento (índice de resfriamento). Vamos imaginar que a temperatura real do termômetro é 10ºC e o vento de 30km/h. Nesta tabela, podemos notar que a sensação térmica nesta situação pode chegar a zero grau, que está marcado em amarelo.


Quando o vento fica mais forte, é fácil imaginar que ele vai nos refrescar num dia quente ou então nos congelar em dias frios. Mas e quando temos vento fraco e a umidade alta? Esta tabela já não contempla essa parte. Assim, utiliza-se uma fórmula complementar chamada de índice de calor. Vamos ver um exemplo:
Temperatura real: 34ºC
Vento: 12km/h
Umidade relativa: 66%
Sensação térmica calculada: 44,8ºC
Com certeza a pessoa que está sob o sol a pino nesta situação está percebendo muito mais os 44,8ºC do que os 34ºC. E temos que considerar também as reações pessoais de cada um com o meio ambiente. Alguns suportam mais o frio e outros mais o calor. Assim, este número mesmo que reflita numa percepção melhor, nunca representará o mesmo para todas as pessoas.

TERMÔMETRO DE RUA
Aqui temos que fazer uma consideração com os termômetros de rua ou termômetros meteorológicos caseiros. Na maioria das vezes, os sensores que compõem estes instrumentos ficam totalmente expostos ao sol e à chuva, e podem receber calor do asfalto ou de uma parede. Nesta situação, os materiais que ficam à mercê das condições atmosféricas acabam por exagerar na temperatura. É muito comum recebermos relatos de que o termômetro que a pessoa comprou ou que viu na rua marca 42ºC, mas que reportamos apenas 33ºC, por exemplo. Mas não podemos fazer esta comparação direta, já que tais termômetros não seguem a regulamentação da OMM. O que podemos dizer é que estes aparelhos mostram algo mais próximo à sensação térmica.

Fonte: Patricia Vieira   Técnica em meteorologia pela FVE-UNIVAP

quarta-feira, 8 de julho de 2015

DERIVA CONTINENTAL

A teoria da deriva continental foi apresentada pelo geólogo e meteorologista alemão Alfred Wegener  em 1915, com a publicação de sua obra clássica A Origem dos Continentes e Oceanos (Die Entstehung der Kontinente und Ozeane ). Wegener afirmava que os continentes, hoje separados por oceanos, estiveram unidos numa única massa de terra no passado, por ele denominado de Pangeia (do grego "toda a Terra"), do Carbonífero superior, há cerca de 300 milhões de anos, ao Jurássico superior, há cerca de 150 milhões de anos, quando a Laurásia (atuais América do Norte e Eurásia) separou-se do Gondwana, que depois também dividiu-se, já no Cretáceo inferior.


Muito tempo antes de Wegener, outros cientistas notaram este fato. A ideia da deriva continental surgiu pela primeira vez no final do século XVI, com o trabalho do cartógrafo Abraham Ortelius. Na sua obra de 1596, Thesaurus Geographicus, Ortelius sugeriu que os continentes estiveram unidos no passado. A sua sugestão teve origem apenas na similaridade geométrica das costas atuais da Europa e África com as costas da América do Norte e do Sul; mesmo para os mapas relativamente imperfeitos da época, ficava evidente que havia um bom encaixe entre os continentes. A ideia, evidentemente, não passou de uma curiosidade que não produziu consequências.

Outro geógrafo, Antonio Snider-Pellegrini, utilizou o mesmo método de Ortelius para desenhar o seu mapa, com os continentes encaixados, em 1858 . Como nenhuma prova adicional foi apresentada, além da consideração geométrica, a ideia foi novamente esquecida. A similaridade entre os fósseis encontrados em diferentes continentes, bem como entre formações geológicas, levou alguns geólogos do hemisfério sul a acreditar que todos os continentes já estiveram unidos, na forma de um supercontinente.

A hipótese da deriva continental tornou-se parte de uma teoria maior, a teoria da tectônica de placas. Este artigo trata do desenvolvimento da teoria da deriva continental antes de 1950.

A DERIVA DOS CONTINENTES

A crosta terrestre é formada de pedaços chamados placas tectônicas, que andam à deriva sobre a camada de rocha fundida do manto. Há sete placas principais e várias outras menores. As forças magnéticas do interior da Terra fazem com que as placas se desloquem lentamente pelo globo, em um vai e vem constante. 
Os geólogos pensam que há cerca de 225 milhões de anos toda a terra deste planeta estava unida num "supercontinente", a que chamaram Pangeia. Mas, à medida que as placas se deslocaram, a terra deste supercontinente começou lentamente a separar-se. Chama-se a este movimento a deriva dos continentes. Os mapas mostram o que os geólogos pensam sobre o modo como os continentes se deslocaram e se afastaram, até formarem as massas de terra que conhecemos atualmente.

No hemisfério sul, há cerca de 150 milhões de anos, no período chamado Jurássico, as correntes de convecção dividiram em pedaços o megacontinente Gondwana. Elas fraturaram a crosta terrestre e separaram a América do Sul, África, Austrália, Antártica e Índia. Nas regiões de Gondwana, que hoje são Brasil e África, as correntes de convecção formaram fissuras e fraturas na crosta terrestre, o que gerou derramamento de lava. A ação contínua dessas forças também rompeu completamente a crosta terrestre e formou o oceano Atlântico. Porém, ele não parecia o vasto mar que é hoje: a fragmentação de Gondwana formou apenas um pequeno oceano, que só cresceu quando Brasil  e África começaram a se afastar de forma gradual há, aproximadamente, 135 milhões de anos. Tal ideia está presente na teoria da deriva continental, que foi apresentada em 1912 pelo cientista meteorologista alemão Alfred Lothar Wegener. A teoria só foi comprovada 10 anos após a morte de Wegener.

ARGUMENTOS:


  • Morfológicos - Wegener apercebeu-se da complementaridade existente entre a costa ocidental da África com a costa oriental da América do Sul, e, mais tarde, entre outros continentes separados atualmente. 
  • Paleontológicos - Fósseis de seres vivos de uma mesma espécie foram encontrados em locais que distam atualmente milhares de quilômetros, estando ainda separados por oceanos. Devido às suas características, assume-se que seria extremamente difícil que estes seres vivos tivessem percorrido estas distâncias ou atravessado os oceanos. Para além disso, cada espécie desenvolve-se num determinado habitat, o que implica que os locais afastados estiveram outrora em zonas mais próximas do planeta, pois teriam de ter o mesmo clima para possuir as mesmas espécies. 
  • Paleoclimáticos - Os sedimentos glaciares só se formam em zonas de grandes altitudes e baixas temperaturas - pólos. No entanto, foram encontrados estes sedimentos em zonas como a África do Sul ou Índia, indicando que estes locais já se encontraram outrora próximos do Pólo Sul, e que, entretanto, se afastaram - mantendo os registros rochosos. 
  • Litológicos - Rochas encontradas na América do Sul e África, com a mesma idade, são semelhantes (por exemplo, formadas pelos mesmos minerais). Para que isto aconteça, tiveram de estar expostas aos mesmos fenómenos de formação de rochas. Pelo contrário, as rochas formadas atualmente nesses locais apresentam características diferentes. Existe ainda continuidade de formações rochosas entre as duas costas - como, por exemplo, cordilheiras montanhosas.



quinta-feira, 11 de junho de 2015

PERESTROIKA E GLASNOST

Mikhail Gorbatchov
Nem mesmo os melhores analistas não conseguiram prever o fim da URSS, acelerado pelos planos de reestruturação econômica (perestroika) e político ( glasnost).
A estagnação econômica a partir de meados da década de 70, aliada à corrida armamentista, coloca em evidência as deficiências e distorções estruturais da sociedade soviética e a necessidade de reformas urgentes. A URSS enfrenta dificuldades crescentes para manter sua hegemonia na Europa Oriental, recua na Ásia, África e América Latina e naufraga no Afeganistão.

Mikhail Gorbatchov , funcionário de carreira do Partido Comunista da União Soviética, torna-se um dos principais assessores de Iuri Andropov durante o curto governo deste, entre 1982 e 1984. Em março de 1985 é eleito secretário-geral do partido, após a morte de Konstantin Tchernenko, que substituíra Andropov. Em 1986, desencadeia a glasnost e a perestroika, que, como ele próprio reconhece depois, definem o que deve ser destruído e mudado, mas não o que deve ser construído no lugar das estruturas antigas. Isso desencadeia movimentos que Gorbatchov não consegue controlar, conduzindo uma grave crise econômica, social e política, à sua própria queda, em 1991, e à desintegração da União Soviética. Seus entendimentos com os Estados Unidos e a Europa Ocidental para o desarmamento e a eliminação dos regimes socialistas na Europa oriental lhe granjeiam grande prestígio internacional, particularmente no Ocidente.


Perestroika - A perestroika, ou reestruturação econômica, é iniciada em 1986, logo após a instalação do governo Gorbatchov. Consiste num projeto ambicioso de reintrodução dos mecanismos de mercado, renovação do direito à propriedade privada em diferentes setores e retomada do crescimento. A perestroika visa liquidar os monopólios estatais, descentralizar as decisões empresariais e criar setores industriais, comerciais e de serviços em mãos de proprietários privados nacionais e estrangeiros. O Estado continua como principal proprietário, mas é permitida a propriedade privada em setores secundários da produção de bens de consumo, comércio varejista e serviços não-essenciais. Na agricultura é permitido o arrendamento de terras estatais e cooperativas por grupos familiares e indivíduos. A retomada do crescimento é projetada por meio da conversão de indústrias militares em civis, voltadas para a produção de bens de consumo, e de investimentos estrangeiros.



Glasnost - A glasnost, ou transparência política, desencadeada paralelamente ao anúncio da perestroika, é considerada essencial para mudar a mentalidade social, liquidar a burocracia e criar uma vontade política nacional de realizar as reformas. Abrange o fim da perseguição aos dissidentes políticos, marcada simbolicamente pelo retorno do exílio do físico Andrei Sakharov, em 1986, e inclui campanhas contra a corrupção e a ineficiência administrativa, realizadas com a intervenção ativa dos meios de comunicação e a crescente participação da população. Avança ainda na liberalização cultural, com a liberação de obras proibidas, a permissão para a publicação de uma nova safra de obras literárias críticas ao regime e a liberdade de imprensa, caracterizada pelo número crescente de jornais e programas de rádio e TV que abrem espaço às críticas.