terça-feira, 6 de novembro de 2018

VOCÊ SABE O QUE É FASCISMO? ENTENDA O TERMO.

A palavra é cada vez mais usada nas conversas sobre política. 
Mas qual sua origem e o que ela significa? 

Em tempos de polarização política, é cada vez mais comum ouvir pessoas se chamando de “comuna” ou “coxinha”. Mas sempre aparece aquele mais entendido que resolve xingar o outro de “fascista”. Faz sentido? Ele realmente sabe o que a palavra significa? E você?

A palavra “fascismo” vem do italiano fascio, que significa “feixe”. Na Roma Antiga, o fascio (também conhecido como fascio littorio), era um machado revestido por varas de madeira. Ele geralmente era carregado pelos lictores, guarda-costas dos magistrados que detinham o poder. O fascio podia ser usado para punição corporal, e também era um símbolo de autoridade e união: um único bastão é facilmente quebrável, enquanto um feixe é difícil de arrebentar.


No século 20, o político italiano Benito Mussolini se apossou desse símbolo para seu novo partido. Em 1914, ele fundou o grupo Fasci d’Azione Rivoluzionaria (mais tarde, em 1922, surgiria o conhecido Partido Nacional Fascista). O uso do fascio não foi à toa. A Itália enfrentava uma profunda crise desde sua unificação tardia (concluída em 1870), e as consequências da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) pioraram a situação. Mussolini prometia, com o fascismo, trazer de volta os tempos áureos do antigo Império Romano.

Em 1919, os italianos Alceste de Ambris e Filippo Marinetti publicaram o Il manifesto dei fasci italiani di combattimento, texto hoje conhecido como Manifesto Fascista, que propunha um conjunto de medidas para resolver a crise da época. Nas décadas seguintes, o termo “fascismo” passou a ser usado para designar as políticas adotadas por Mussolini e seus seguidores.

O regime de Mussolini começou oficialmente em 1922, quando ele assumiu o cargo de primeiro ministro da Itália, e foi um sistema político nacionalista, imperialista, antiliberal e antidemocrático. Ele implantou um governo totalitário que privilegiou conceitos de nação e raça sobre os valores individuais. O fascismo italiano quase acabou em 1943, quando os países Aliados invadiram a Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. 

Mas os nazistas ainda deram uma segunda chance ao ditador: os alemães reocuparam a Itália, resgataram Mussolini e o levaram para o norte do país, onde ele tentou restituir seu governo. No fim, em 1945, os Aliados tomaram o norte e Mussolini foi capturado e fuzilado por guerrilheiros da resistência italiana. Seu corpo foi exposto em praça pública. Com a derrota da Itália (e das forças do Eixo) na guerra, “facista” virou um termo pejorativo.

Mas, o que exatamente foi o fascismo nem os maiores estudiosos sabem definir com precisão. Não existe nenhuma definição universalmente aceita do fenômeno, seja quanto sua abrangência, origens ideológicas ou formas de ação que o caracterizem. Algumas das principais características atribuídas ao fascismo  italiano -nacionalismo, corporativismo, racismo- não estão presentes em todos os regimes ditos fascistas. 

George Orwell, no seu “O que é Fascismo?”, afirma que as definições populares do termo vão de “democracia pura” a “demonismo puro”. Ele mesmo afirma que é uma palavra “quase inteiramente sem sentido”. Isso se deve, principalmente, ao fato de o fascismo não possuir um arcabouço teórico forte, e ter sido determinado, na prática, pelas atitudes de Mussolini. Nas palavras do próprio: “Não temos uma doutrina pronta; nossa doutrina é a ação.” Outros movimentos são bem mais formalizados. O marxismo, por exemplo, antes de ser uma prática política, é uma doutrina com base teórica nos escritos de Marx e Engels. O nazismo, mais próximo do fascismo, teve no livro Mein Kampf (Minha Luta), escrito em 1925 por Adolf Hitler, seu manual de instruções. Mas as regras do regime de Mussolini foram basicamente definidas na hora, no calor do momento.

O fascismo propriamente dito ocorreu em um contexto bem específico da história, mas há quem considere que o regime de Franco, na Espanha, ou o de Salazar, em Portugal, também tenham sido fascistas. Talvez dessa indefinição surja a generalização. Hoje, a palavra virou sinônimo de “extrema direita”, mas é usada até para se referir a “totalitarismo” e “autoritarismo” – o que não faz sentido, já que o regime comunista de Stalin foi ainda mais autoritário que o de Mussolini.

Em suma: a própria definição de fascismo é relativa. E as pessoas vão continuar usando essa palavra cada uma à sua maneira. Mas, na próxima vez em que você escutar alguém usando o termo, saberá do que se trata: alusão a um antigo instrumento de poder romano, que virou símbolo de alguns dos piores momentos do século 20.  

Ainda que vago, no entanto, mesmo sem um aparato ideológico abrangente ou pensadores influentes, há alguns elementos escancarados a respeito da natureza do fascismo. Todos, e isso faz total sentido, ignorados por aqueles que mais utilizam essa expressão. Abaixo, 4 coisas que você precisa saber antes de sair por aí acusando os outros usando esse nome em vão.


1 - ANTILIBERAL



Essa é a primeira coisa que você precisa saber antes de sair por aí acusando alguém usando essa expressão: o maior inimigo do fascismo é o liberalismo. Essa era a opinião de Mussolini, o grande líder totalitário italiano.

“O fascismo é definitivamente e absolutamente oposto às doutrinas do liberalismo, tanto na esfera econômica quanto na política.”

Para ele, o liberalismo era uma espécie de “religião desconhecida” que precisava ser combatida. Mussolini era desses que acreditava que o século dezenove havia sido o grande reinado do liberalismo no mundo e que o século vinte seria o “século de fascismo”. Não por acaso, ele resumiu toda doutrina fascista numa regra muito clara, que virou quase um bordão de tão precisa:


“Tudo para o Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado.”

 Essa é a essência do tal Estado totalitário: é tudo nele e nada fora dele. Ou seja, o fascismo é a ideia que todas as ações humanas devem satisfações a uma organização central. O Estado deve dirigir uma economia corporativista, controlando cada movimento do mercado, ao mesmo tempo em que impõe claros limites às liberdades individuais. Em resumo, esse é o exato oposto do que defendeu toda literatura liberal ao longo dos últimos trezentos anos. Isso também é muito próximo daquilo que os socialistas instituíram em diferentes regimes ao redor do mundo no último século.

Moeller van den Bruck, o ideólogo nazista que serviu como forte influência para o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, captou o sentimento da juventude alemã antes da ascensão de Hitler. Era genuinamente antiliberal.

“O liberalismo é uma filosofia de vida à qual a juventude alemã volta hoje as costas com nojo, cólera e um desprezo especial, pois não há nada mais exótico, mais repugnante e mais contrário à sua filosofia. A juventude alemã dos nossos dias reconhece no liberalismo o arqui-inimigo.”


Para ele, a ascensão do fascismo nos mais diversos cantos da Europa era facilmente explicada: 

“Todas as forças antiliberais estão se unindo contra tudo que é liberal.”


No artigo “A redescoberta do liberalismo”, o alemão Eduard Heimann, um dos líderes do socialismo religioso alemão, era outro a destacar o ódio dos fascistas pelos liberais:


“Hitler jamais pretendeu representar o verdadeiro liberalismo. 
O liberalismo tem a honra de ser a doutrina mais odiada por Hitler.”


Passado tanto tempo, é exatamente por isso que soa tão estúpido quando liberais são acusados de fascistas. Na verdade é o contrário. O fascismo é uma espécie de religião do Estado. É a crença que o Estado deve assumir totalmente a responsabilidade por cada aspecto da vida humana em detrimento do individualismo. O Estado deve gerir o nosso bem-estar e cuidar da nossa saúde. E não apenas isso. Deve também impor uma uniformidade de pensamento – leia-se: instaurar uma ditadura do pensamento único, onde as expressões não são livres, construídas a partir da boa vontade de uma liderança política.

Na prática, a construção de uma sociedade fascista é inteiramente calcada pelo antiliberalismo.


2- TRABALHISTA




Poucos regimes foram tão revolucionários na defesa dos direitos trabalhistas quanto o fascismo. Não por acaso, a nossa própria legislação na área, criada no auge do Estado Novo, por Getúlio Vargas, tem como base um documento italiano do final da década de vinte, a Carta del Lavoro, onde o Partido Nacional Fascista definiu os fundamentos das relações de trabalho. Até hoje, aliás, todas essas determinações não apenas permanecem organizando a vida econômica do país em corporações, com sindicatos patronais e trabalhadores tutelados pelo Estado, como são defendidas em grande parte por militantes de esquerda.

E a CLT não foi o único documento a seguir esse princípio. A própria Constituição Federal de 1937 tem no artigo 138 uma tradução idêntica à declaração III da Carta del Lavoro. E o que ela prevê? A unicidade sindical sob tutela do Estado, as contribuições compulsórias e os contratos coletivos de trabalho, mecanismos que de forma intacta sobreviveram à Constituição de 1988.

Foi dessa maneira que o fascismo mudou a cara do trabalhismo no último século – abraçando o sindicalismo revolucionário e dando ao Estado o papel de tutor das relações laborais, fiscalizando patrões, empregados e determinado cada aspecto da vida do trabalho. Quer dizer, nunca houve no fascismo italiano o interesse em abolir completamente a propriedade privada, como definia a utopia soviética. Os fascistas ousavam dominá-la através de corporações intimamente ligadas ao Estado. Em 1935, os sindicatos fascistas tinham mais de 4 milhões de filiados. Nada parecido havia sido testemunhado proporcionalmente em nenhum outro canto do mundo até então. A Itália era um grande feudo sindicalista.

Do outro lado do Atlântico, essa é a base do trabalhismo tupiniquim: uma cópia escrachada do fascismo italiano. Não apenas no que diz respeito à perpetuação de uma cultura sindical (e nunca é demais lembrar que há mais de 15 mil sindicatos no Brasil), como no fato dessas corporações serem tão próximas ao Estado (de abril de 2008 a abril de 2015, o governo federal repassou mais de R$ 1 bilhão para as centrais sindicais).

Boa parte dos nossos sindicalistas, não obstante, com o dedo em riste acusam seus opositores de fascistas. Nada mais contraditório.


3 - POPULISTA



Há algo inegável a respeito das ideologias: fascistas e populistas de esquerda nasceram como uma espécie de irmãos Karamazov dos dicionários políticos. E não sem motivo.

Em geral, tanto o primeiro grupo quanto o segundo construiu suas plataformas ideológicas no último século a partir do aumento do gasto público, da criação de políticas econômicas equivocadas justificadas para atender as massas, da propagação da ideia que o livre mercado é um mal a ser combatido, da figura centrada num grande líder carismático, do uso das estruturas do Estado para a construção da propaganda oficial, do combate à globalização como proteção à economia nacional, da crença no partido como um instrumento inquestionável de criação de prosperidade e justiça social, da luta contra um inimigo em comum (os norte americanos, o comércio internacional, os judeus), da construção de um discurso que una o grande líder ao “povo” e condene todas as figuras contrárias ao partido como “antipovo”, da perseguição à propriedade privada, da manipulação dos números oficiais, da descrença em escândalos de corrupção do governo.

Isso tudo está em Getúlio, Hitler ou Mussolini. Mas também está em Chávez, Perón e Fidel.

Há evidentes diferenças entre fascistas e populistas de esquerda, certamente. Ainda assim, não é um equívoco apostar que há mais coisas que os aproxima do que os afasta.

4 - AUTORITÁRIO



Sabe aquela imagem estereotipada do grande líder totalitário concentrando todo poder possível nas mãos para dar cabo ao seu plano psicopata de destruir completamente o mundo? Sinto dizer, mas longe dos desenhos animados e dos pastelões de Hollywood, ela é falsa. Em geral, a mesma noção altruísta que teoricamente move políticos dos mais diversos credos ideológicos também inspira diferentes líderes totalitários: todas as suas ações políticas são justificadas a partir de uma hipotética luta pela transformação do mundo vigente, do combate às mazelas históricas, da crença que as suas ideias são naturalmente superiores e benéficas ao maior número de pessoas.

E é justamente graças a esse entendimento que seu plano político é infalível na construção de uma sociedade mais justa e estável, e que seus opositores representam uma ameaça ao bem estar geral da população, que líderes totalitários e seus simpatizantes usualmente criam algumas das ditaduras mais perversas que a humanidade já testemunhou – dentre as quais uma muito peculiar, ainda tão em voga nos dias atuais: a do pensamento único.

Via de regra, todos aqueles que buscam construir o paraíso na terra concentrando poder, acabam produzindo catástrofes infernais.

E se tirania atinge seu ápice na instauração da nova identidade política, com muita repressão policial, ela alcança forte poderio também no campo das ideias. Acreditando defender um mundo moralmente superior, fascistas – assim como seus irmãos bastardos, os populistas de esquerda – condenam aquilo que entendem como pensamento dominante (essencialmente capitalista e individualista) para dar lugar a um novo reino da opinião e das condutas pessoais, construídas sobre o mito da juventude como artífice da história, da total dedicação à comunidade, da camaradagem e do espírito guerreiro e revolucionário. Em geral, fascistas e populistas de esquerda não apenas censuram todos aqueles que destoam de suas crenças, tratados literalmente como politicamente incorretos, como ameaçam fisicamente e moralmente seus opositores.

Dessa forma, a liberdade de expressão vira um mero conceito pequeno burguês: a própria palavra é um instrumento do coletivo, da maioria, do “povo”, e deve ser silenciada quando utilizada pelos não alinhados ao pensamento único. Não apenas os veículos de informação que denunciam descasos do partido são condenados ao descrédito – quando não à censura – como pensadores de oposição acabam tratados como arqui-inimigos dos trabalhadores e do bem comum. Sem escapatória, ou você repete o discurso coletivo, ou você morre abraçado ao riso da estupidez.

Assim, a essa altura do texto, é muito provável que muitos daqueles que você está acostumado a ver acusando os outros de fascistas, com expressões autoritárias, dedos em riste e soluções inquestionáveis para todos os problemas do mundo, quase sempre são eles mesmos os mais fervorosos praticantes do fascismo – um fascismo velado, cínico e demagogo, mas não menos autoritário. Escondidos sob o véu desse autoritarismo do bem, pretensiosamente inclusivo e justiceiro, os fascistas envergonhados dos dias atuais, como os do passado, são quase sempre os primeiros a acusar os outros daquilo que eles mesmos fazem, e justificam seus protestos, suas greves, seus boicotes e suas vaias, com toda uma insolência muito peculiar, à incendiária construção de um novo mundo, mais justo.

Isto posto, não nos resta dúvida que o fascismo atravessou o século e deixou de ser uma marca restrita aos líderes totalitários. Por isso, esqueça Hitler, Vargas ou Mussolini. Olhe ao seu redor. O fascismo é um instrumento da modernidade que concentra sua luta na construção de um mundo melhor através de ações estatais muito específicas e irredutíveis que moldam as particularidades humanas sob a égide do politicamente correto e do pensamento único.


QUANTOS PAÍSES AINDA VIVEM EM DITADURA?

Atualmente, 49 países no mundo vivem em regime ditatorial – segundo levantamento da Freedom House, ONG americana que monitora anualmente as democracias ao redor do mundo.

O relatório de 2018 da ONG aponta para uma “crise democrática” global – uma vez que, pelo 12º ano seguido, a Freedom House encontrou um “saldo negativo”:  o número de países que sofreu com guinadas ao autoritarismo foi maior do que o de nações que tiveram evoluções positivas em seus modelos democráticos.

A Turquia e a Ucrânia foram citadas como exemplos em que as liberdades democráticas, que começavam a se estabilizar, foram novamente desestruturadas. O resumo do relatório pode ser visualizado no mapa abaixo :



SEGUE ABAIXO UM LINK COM MAPA INTERATIVO DAS PRINCIPAIS DITADURAS:



Mas afinal, o que esses estudos querem dizer quando falam em “regimes ditatoriais”?

Também chamadas de “autocracias”, essas nações não permitem voto popular periódico para escolher os governantes e tampouco liberdade de expressão. Em algumas delas, os governos afirmam que são democráticos e até organizam eleições. No entanto, os candidatos da oposição são sempre ameaçados e acabam desistindo ou morrendo “misteriosamente” pouco antes do pleito. Ou então os resultados são pra lá de duvidosos, com diversas acusações de fraude.

Abaixo, alguns exemplos de ditaduras em vigor no mundo.

1. CUBA

Desde 1959

Modelo Estado Comunista
Ditador Miguel Díaz-Canel (desde 2018)
Cuba vive sob regime de um partido único, o Partido Comunista. Mesmo assim, votação por lá só nos municípios com candidatos autorizados pelo partido. Eleição para o cargo de presidente nem pensar. A ilha vive nesse modelo desde a Revolução de 1959, quando Fidel Castro tomou o poder. Não existe liberdade de expressão e a imprensa não pode criticar o governo

2. RÚSSIA

Desde 1991

Modelo República Socialista Federativa
Ditador Vladimir Putin (desde 2000)
Desde que Vladimir Putin assumiu o poder na Rússia, em 2000, ele controlou, aos poucos, a liberdade da imprensa, começou a nomear os governadores sem eleições e perseguiu (ou matou) seus opositores. Alternando entre os cargos de presidente e primeiro-ministro, Putin está no poder há 18 anos. Nas últimas eleições houve denúncias de fraude, mas ele foi eleito assim mesmo

3. CHINA

Desde 1949

Modelo Estado Comunista
Ditador Xi Jinping (desde 2013)
A China é considerada uma ditadura clássica. Além do rígido controle do Estado sobre a política, a censura rola solta: desde a imprensa até a escolha dos filmes que podem entrar nos cinemas. Só existe o Partido Comunista e as eleições são feitas dentro dele, já que membros do partido são os únicos que podem se candidatar e votar

4. EGITO

Desde 2013

Modelo Indefinido
Ditador Abdel Fattah Al Sisi (desde 2014)
O Egito teve sua primeira eleição direta em 2012, após a queda do ditador Hosni Mubarak, que estava no poder desde 1981. Mas o presidente eleito, Mohamed Mursi, durou pouco. O país sofreu um golpe militar com apoio popular e passou por um período de “ditadura temporária”. Ainda mantém a Constituição suspensa

5. OMÃ

Desde 1749

Modelo Sultanato
Ditador Qaboos bin Said Al Said (desde 1970)
É difícil afirmar qual a ditadura mais antiga do mundo, já que existem diversos países que nunca foram, realmente, democráticos. No entanto, o pequeno Omã, no Oriente Médio, chama a atenção por ser governado pela mesma família há mais de 260 anos. Quem manda por lá é o sultão Qaboos bin Said Al Said. Não existe Constituição e boa parte das regras se baseia no islamismo

6. COREIA DO NORTE

Desde 1948

Modelo Estado Comunista
Ditador Kim Jong Un (desde 2011)
A Coreia do Norte tem o regime mais autoritário do mundo. O poder é controlado pelo Partido Comunista e pelas Forças Armadas. Como a economia está em frangalhos, para sobreviver, o país recebe ajuda de China, Japão e Coreia do Sul. O penúltimo ditador do país, Kim Il-sung, que morreu em 1994, foi proclamado o “Presidente Eterno da República”. Seus sucessores tiveram de se conformar com o título de Chefe de Estado.


COMO CRIAR SUA PRÓPRIA DITADURA

É simples, mas não tente fazer em casa
– Nada de dar liberdade à imprensa. Todos devem falar bem do governo

– Evite ter mais de um partido, assim outras opiniões não chegarão ao poder
– Tenha filhos para substituí-lo, caso você morra ou fique velho e doente
– Escolha um grupo de amigos para serem os únicos com direito de votar nas eleições. Avise que eles devem votar em você, caso ainda não saibam
– Tenha uma boa equipe de torturadores e assassinos profissionais


FONTES Livro Ditaduras Contemporâneas, de Maurício Santoro, CIA e sites freedomhouse.org e systemicpeace.org

CONSULTORIA Mauricio Santoro, cientista político, professor e assessor de direitos humanos da Anistia Internacional






Fonte: Revista Superinteressante

segunda-feira, 28 de maio de 2018

ENTENDA COMO OCORREU A GUERRA FRIA


A Guerra Fria foi um período (1945-1990) em que a ordem mundial foi baseada na bipolaridade e nos conflitos indiretos entre as duas maiores potências mundiais da época. De um lado, os EUA liderando o bloco capitalista e do outro a URSS liderando o bloco socialista.

Foi um conflito político, ideológico, armamentista e econômico, mas não houve conflito direto entre esses países. Entre os conflitos indiretos, houve as Guerras do Vietnã e da Coreia, e os golpes militares na América Latina. Outro aspecto essencial dessa Guerra foi a corrida aeroespacial, e nesse contexto a URSS enviou foi o primeiro país a colocar um satélite, um ser humano e uma estação espacial em órbita, e os EUA o primeiro país a chegar a Lua em uma viagem tripulada.

Nos esportes, essa disputa se mostrava de forma intensa. O principal cenário desse confronto eram os Jogos Olímpicos e os dois países, liderando seus respectivos blocos, se esmeravam em demonstrar superioridade também nesse campo.

Além dos aspectos acima mencionados, o mundo, principalmente a Europa, passou por uma reconfiguração territorial sentida mais intensamente por alguns países como a Alemanha e a Iugoslávia, que tiveram suas fronteiras redesenhadas.

O fim desse conflito deu seus primeiros sinais nos anos 70 do século passado, quando as duas potências resolvem fazer seus primeiros acordos de desarmamento. Nos anos 80, a crise econômica da URSS levou à sua derrocada e consequente fragmentação territorial, que ainda tentou manter certa unidade territorial por meio da fracassada Comunidade dos Estados Independentes, criada no princípio dos anos 90.

Para ajudar na compreensão do tema, você pode baixar gratuitamente uma apresentação de slides que eu uso em minhas aulas. Fique à vontade para usar em seus estudos ou em suas aulas: o uso é livre, mas lembre-se de colocar os créditos. 

sexta-feira, 23 de março de 2018

QUAL A DIFERENÇA ENTRE ENCHENTE, INUNDAÇÃO E ALAGAMENTO?

Há uma linha tênue que diferencia enchente, inundação e alagamento. Por exemplo, estamos diante de um quadro de enchente quando temos o aumento do nível da água, porém sem que isso gere o transbordamento. A enchente é causada sobretudo pela elevada vazão da chuva.

Quanto a inundação, ela é caracterizada pelo transbordamento. Este transbordamento inunda a região quando o sistema de drenagem não dá conta da vazão de chuva.

No que diz respeito ao alagamento, ele é definido pelo acúmulo de água e sistema de drenagem sem eficácia ou até mesmo em falta.



REDUZIR ALAGAMENTOS, INUNDAÇÕES E ENCHENTES É POSSÍVEL?

Além de ações públicas de prefeituras, governos e secretarias específicas para tais finalidades, reduzir e prevenir alagamentos, enchentes e inundações passa também por alguns gestos pessoais de cada um.

O clássico descarte de lixo nas vias públicas é o exemplo mais notório a ser eliminado. Mas claro que a problemática não se resume a isto.

No que diz respeito a métodos de proteção e prevenção no caso de problemas oriundos da chuva, alguns dispositivos poderão ajudar. É o caso por exemplo, do uso de comportas residenciais, instalação de válvulas de retenção nas saídas de esgoto, por exemplo, drenos e canaletas.

Na rua, o desentupimento de bueiros é essencial para evitar possíveis tragédias, bem como a retirada de objetos, móveis velhos e jogados pelas vias.

Fazer a manutenção de seu sistema hidráulico também é um fator de segurança, evitando problemas de entupimento devido à alta vazão de água no período de chuvas. Para isso, entre em contato com a Desentupidora Aquarella agora mesmo e tenha a certeza de estar com o encanamento e esgoto fluindo perfeitamente.


O QUE ACONTECERIA SE NÃO EXISTISSEM AS ESTAÇÕES DO ANO?

Você já fez uma lista das coisas sem as quais você não conseguiria viver? Comida, um bom lugar para dormir e, quem sabe, internet? Então coloque aí mais um item: as estações do ano.

De acordo com Don Attwood, antropólogo ecológico na Universidade McGill, em Montreal, os seres humanos nunca teriam avançado, pois passariam a vida batalhando pela sobrevivência e morreriam de doenças transmitidas por insetos caso não fôssemos agraciados com as mudanças incluídas em cada período.

Poderia ser de outra forma? Sim. Foi um pequeno – imenso – detalhe que tornou possível a atual distribuição das estações durante os meses: o eixo de rotação da Terra, que é um pouco inclinado em relação ao Sol.

Se fosse diferente, com a Terra perpendicular ao astro, o clima seria permanente em cada região do planeta, tornando-se mais progressivamente frio à medida que se afasta do Equador. Dessa forma, os seres humanos não conseguiriam sobreviver ao inverno contínuo das altas latitudes e nós teríamos que nos amontoar nas áreas tropicais.


O que aconteceria? 

Vamos pensar na zona tropical úmida, como as florestas do Congo. A precipitação nessas regiões seria implacável, causando erosão e lixiviação no solo, o que tornaria a terra cultivada infértil.

Além dos problemas com a agricultura, os seres humanos seriam importunados por agentes patogênicos, que iriam prosperar em ambientes quentes e úmidos, já que o inverno, que nos protege da proliferação de insetos que podem ser portadores de doenças mortais, não existiria.  

Não é preciso pensar muito para chegar à conclusão de que essas regiões ficariam áridas, o que é ainda pior para a existência de sociedades grandes e complexas.

Nos polos, não haveria variação de luminosidade, o que tornaria o ambiente tão frio que nem os próprios pinguins conseguiriam viver. Já nos lugares quentes, como o deserto do Saara, o clima seria sempre quente e seco. Como vantagem, o mar seria muito mais rico e ajudaria a sustentar a vida no planeta.



O papel do inverno:

Como vimos anteriormente, além de nos proteger de agentes patogênicos, o frio tem outro papel essencial no desenvolvimento humano: a cultura de alimentos. O trigo, por exemplo, só cresce onde há inverno. Outros alimentos, como milho, batata, aveia e cevada, também se desenvolvem melhor onde existe frio. Você já imaginou um mundo sem pão e cerveja?

Há quem acredite que até as revoluções tecnológicas estão fortemente ligadas à existência do inverno; afinal, é nessa época que precisamos manter nossos corpos quentes e o frio teria papel fundamental na Revolução Industrial e em tantas outras tecnologias que foram criadas com esse propósito.

Mesmo que não exista nenhum estudo que comprove a ligação entre o inverno e o avanço tecnológico, faz sentido pensar em tudo que o ser humano seria capaz de inventar para se manter aquecido.




terça-feira, 5 de setembro de 2017

O QUE É RAMADÃ?

O Ramadã é o nono mês do calendário islâmico, no qual se acredita que o profeta Maomé recebeu a revelação da parte de Alá (como os muçulmanos denominam o Deus Todo-Poderoso), dos primeiros versos do Alcorão

De acordo com o islã, Maomé caminhava pelo deserto, perto de Meca, 610 d.C., onde atualmente localiza-se a Arábia Saudita. Certa noite, uma voz vinda do céu o chamou. Segundo a tradição islâmica, era a voz do anjo Gabriel que disse a Maomé que este havia sido escolhido para receber a palavra de Alá. Nos anos posteriores, foi também através do anjo que a revelação de Alá foi transmitida a Maomé, que começou a pregar os versos que seriam transcritos e comporiam o livro sagrado islâmico.

O jejum do Ramadã é um dos cinco pilares da fé islâmica e é obrigatório para todos os seus seguidores. Trata-se de um tempo especial em que os muçulmanos se reúnem em oração e é considerado uma oportunidade especial para reviver, renovar e revigorar sua prática de fé.

A palavra Ramadã tem origem na palavra árabe "ramida" que significa "ser ardente".


Quando acontece o Ramadã:

O início do Ramadã em cada ano é baseado na combinação das observações da lua e em cálculos astronômicos. Seu término é determinado de maneira semelhante. Pelo fato de o islamismo usarem o calendário lunar (que é onze dias mais curto que o calendário solar adotado na maior parte do mundo ocidental), o período sagrado do Ramadã varia de ano para ano, o que significa que o jejum pode ser celebrado em diferentes meses e estações.


Quem deve cumprir o jejum:

O jejum é obrigatório para todo muçulmano que tenha atingido a puberdade e que goze de perfeita saúde física e mental. O primeiro jejum de uma pessoa na comunidade muçulmana é algo para celebração e festa. As grávidas, lactantes, mulheres no período menstrual, crianças, idosos e aqueles que estiverem doentes ou viajando, são dispensados de praticar o jejum.

A isenção temporária do jejum é baseada nas circunstâncias individuais, que precisam ser analisadas durante o mês e, aconselhadas por um imã (líder religioso) ou por um estudioso islâmico. No entanto, na maioria dos casos, os dias de jejum perdidos terão de ser compensados por um número igual de dias, a qualquer momento antes do próximo Ramadã. Em caso de doença terminal ou incurável, a pessoa deixa de jejuar definitivamente, porém, se tiver condições, precisa dar uma refeição a um necessitado para cada dia não jejuado, ou o equivalente ao valor de uma refeição. Do contrário, não está obrigada a nada.


A prática e seus significados:

O jejum é feito por cerca de 29 dias entre o nascer e o pôr do sol. O dia começa com o suhoor, uma refeição feita ainda de madrugada, e termina com o iftar, a refeição que quebra o jejum do dia. É um momento de celebrar com a família e os amigos, ocasião em que pessoas de outras religiões podem ser convidadas a participar. Se alguém comer, beber ou tiver relações sexuais durante esse período, deverá alimentar 60 pobres ou jejuar por 60 dias.

Há duas grandes celebrações importante durante o período. Na noite do 26º para o 27º dia do Ramadã, celebra-se o laylat al-kadr (noite do poder ou noite do decreto), pois acredita-se que foi nessa noite que Alá começou a falar com Maomé. Alguns oram durante toda a noite e fazem seus pedidos mais especiais a Alá. No fim do jejum ocorre o eid ul-fitr, um banquete seguido de três dias de comemoração, quando é proibido jejuar. Muitos muçulmanos vestem suas melhores roupas e decoram suas casas com luzes e outros enfeites. Dívidas antigas são perdoadas e dinheiro é dado aos pobres. Preparam-se alimentos especiais e convidam-se amigos ou parentes para partilhar a festa. As crianças recebem presentes e há troca de cartões, algo semelhante ao Natal comemorado nos países ocidentais. Eid al-Fitr é uma ocasião alegre, mas seu propósito primordial é de louvar a Alá e dar graças a ele, segundo a crença islâmica.



As implicações do Ramadã no cotidiano:

Durante o mês de jejum verifica-se o aumento no preço de vários produtos em países de maioria islâmica, o que acrescenta grande sofrimento para o povo mais pobre. Isso acontece porque durante as noites do Ramadã as pessoas ficam acordadas, celebrando e indo à mesquita para uma oração especial. O resultado é o aumento do consumo de alimentos, apesar da aparente contradição por ser um mês de jejum. Acontece que cada noite é uma espécie de ceia natal, e, por isso, os muçulmanos consomem mais alimentos e artigos de luxo durante o período do que em outras épocas do ano. Devido à alta demanda dos gêneros alimentícios, muitas vezes não é possível manter os preços baixos. É claro que isso não afeta apenas os muçulmanos, mas toda a população.


Em muitos países do mundo muçulmano, não praticar o jejum ou comer na frente de alguém que está jejuando é uma falta grave. Na Arábia Saudita, por exemplo, quem ousar admitir que não esteja jejuando é punido.

No Marrocos, o código penal prevê pena de até seis meses de prisão a quem não praticar o jejum. A Constituição marroquina ressalta que o islamismo é a religião oficial, mas diz também que o Estado protege a liberdade religiosa, enquanto o código penal criminaliza a quebra do jejum em público. Dessa forma os indivíduos são obrigados a praticar o Ramadã por dois motivos: pela lei e pela religião.


Nos Emirados Árabes Unidos, comer ou beber durante o dia é considerado uma ofensa menor e punida com serviços comunitários. Lá, as leis trabalhistas estabelecem que durante o Ramadã os empregados trabalhem apenas seis horas por dia, sejam eles muçulmanos ou não.

Os cristãos de origem muçulmana precisam ter muita cautela, principalmente no período do Ramadã. Eles podem facilmente incomodar os muçulmanos do país, mesmo que ajam com amor e piedade. Considerados apóstatas, esses cristãos são frequentemente expulsos de suas comunidades, deserdados e desprezados por suas famílias, e muitas vezes ameaçados de morte. Muitos ataques a igrejas e a cidadãos cristãos costumam acontecer nos últimos dias do Ramadã.

Fonte: Portas Abertas Internacional

terça-feira, 21 de março de 2017

POR QUE A LINHA DO EQUADOR TEM ESSE NOME?


Apesar de passar pelo Equador, o nome dessa linha imaginária não está relacionada ao país. Ela vem da palavra latina "equatore", que quer dizer igualdade, pois a linha divide o nosso planeta em hemisférios de tamanhos iguais. O país Equador tem esse nome por causa dessa linha. Antes dela, ele era conhecido como El Reino de Quito.